segunda-feira, 5 de maio de 2014

BÍBLIA. Aula 3 - SIGNIFICADO DA PÁSCOA

(Anotações referentes à aula de 30/04/2014, ministrada pelo diácono Ubirajara, de Poá)
A cada ano, quando chega a primavera no hemisfério norte, cristãos e judeus celebram a festa da Páscoa. Ambas as celebrações coincidem no sentido libertador, do fato que comemoram e na vigência atual. No entanto, se diferenciam em outros aspectos. Primeiro, no próprio fato: saída do Egito, para os judeus; paixão, morte e ressurreição de Jesus, para os cristãos. Também em realção a seus protagonistas: Moisés e o núcleo do clã dos hebreus, que formam mais tarde o povo de Israel; Jesus e a totalidade dos homens chamados a formar a nova humanidade. 

ORIGEM DA PÁSCOA
O texto (Êxodo 12) tem toda a aparência de um relato histórico do acontecimento que teve lugar provavelmente na primeira metade do século XIII a.C., no tempo de Ramsés II (1290-1224 a.C.). Trata-se, na verdade, do ritual de sua celebração anual dos israelitas no “mês de abib”, “o primeiro dos meses do ano”.

A Páscoa dos nômades: com a chegada da primavera, as cabras e ovelhas, o gado menor dos pastores nômades, pariam e estes se dispunham a partir em busca de novas pastagens. Antes de se separarem, os nômades reuniam-se à noite de “plenilúnio” (ou seja, à lua cheia) e imolavam um cordeiro, a fim de assegurar a fecundidade do gado. O sangue do animal era untado nos paus das tendas para afastar os perigos que existiam na caminhada. Tais perigos personificavam-se nos demônios que, em sua imaginação, povoavam o deserto. As vezes, concretizava-se em um demônio determinado, o Destruidor. A própria descrição que o livro do Êxodo faz da Páscoa indica sua origem e sua condição na festa dos pastores.

A Festa dos pães ázimos: Nos povos sedentários, com a chegada da primavera e o início da colheita da cevada, tinha lugar também, um rito religioso: a oferenda da primícia da colheita, cujo fim era interpretar a abundância dos rebanhos e a fecundidade dos campos. Durante os setes dias seguintes, comia-se apenas pães sem fermento (isto é,  ázimos), feito com os grãos moídos das espigas recém-colhidas. A razão de se comer unicamente este pão ázimo pde estar relacionada com as antigas tradições que falavam de influências maléficas, evitando por isso utilizar o fermente que restou da colheita anterior para fazer fermentar o fruto da nova colheita.
Assim, no relato de Ex 12, essas festas da primavera agora se tornam um memorial da libertação do Egito, apoiada por Deus, através de seu servo Moisés.
Páscoa significa “passagem” do povo judeu, da escravidão para a libertação. Para nós, cristãos, Cristo é a nossa Páscoa, nossa “passagem” da morte para a vida.

OBSERVAÇÃO: No hemisfério norte, a primavera tem início no dia 23 de Março, assim, para os judeus, a páscoa é celebrada no primeiro sábado da lua cheia, a partir deste dia. Para nós, cristãos, é celebrada no primeiro domingo da “lua cheia”, a partir desta data, seguindo a antiga tradição.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

BÍBLIA PEREGRINA EM 2014

 A história da Bíblia peregrina começou no ano passado, no Ano da Fé. Uma ideia bem recebida para lembrar que Palavra de Deus é que alimenta a nossa vida na Fé.
Mas, o tempo foi curto e nem todas as paróquias receberam a BÍBLIA PEREGRINA.
A exemplo de iniciativas que já ocorreram no ano passado em alguns lugares da diocese, ampliamos a quantidade de Bíblias: no lugar de apenas sete Bíblias, distribuímos onze Bíblias, isto é UMA POR CIDADE, para procurarmos atender não apenas todas as paróquias, mas se possível todas as comunidades. Além disso, as Bíblias foram entregues na reunião diocesana do mês de março, dando muito mais tempo de cumprirem o seu roteiro. Na reunião anterior, tínhamos partilhado algumas experiências da passagem da Bíblia peregrina em algumas paróquias, para que todos os presentes compreendessem a INTENÇÃO MISSIONÁRIA DESTA BÍBLIA, que neste ano ficou mais caracterizada: ganhou uma folha (que fica na contra-capa), para registrar a sua caminhada, bem como uma sacola que revela a sua função.

No ano passado, a sugestão foi buscarmos a Bíblia na outra paróquia, durante uma missa, que é momento privilegiado para ouvir a Palavra de Deus. No final da missa, a Bíblia era enviada para a Paróquia seguinte.
Para este ano, aqui em Ferraz, estamos recebendo a BÍBLIA na missa (ou celebração da Palavra), fazendo um momento especial para a Entrada da Bíblia, que pode ser pelas mãos do catequista da outra paróquia. Isto é, a ideia é levarmos a Bíblia para a Paróquia seguinte. Das duas maneiras fica bom. Por isso resolvam com o padre (ou o ministro que presidir a celebração) como é melhor, na realidade em que se encontram, e procurem combinar com a devida antecedência.

O material escrito para orientar o acolhimento desta BÍBLIA na sua Paróquia foi publicado em http://abcdiocesedemogi.blogspot.com.br/2013/08/envio-da-biblia-peregrina-as-regioes.html


quinta-feira, 24 de abril de 2014

LITURGIA - Aula 3: CONCEITO DE ASSEMBLEIA LITURGICA

(Anotações da aula de 23/04/2014, ministrada pelo diácono Arthur)


3.1 FENÔMENO HUMANO DA ASSEMBLEIA
  • Confluência de pessoas;
  • Fenômeno de comunicação;
  • Funções e formas regulamentadas;
  • Ritualização dos gestos: repetibilidade, participação;
  • Estabelecimento de metas;
  • Acontecimento da comunidade.
  • Liturgia termo apropriado no séc XVI
  • + Antigo: Assembleia (Synaxis
  • Igreja (Ecclesia) = coletividade dos cristãos dispersos + reunião periódica ao redor da Palavra de Deus e da Eucaristia.
  • Liturgia católica: reclama assembleia

3.2 POVO SACERDOTAL 
  • Qachal Yahweh: Assembleia do Senhor.
  • “Vós sois uma raça eleita, um povo sacerdotal...” (1ª Pedro 2,9)
  • Corpo de Cristo 

3.2.1 QACHAL YAHWEH 
  • Deus está presente (Ex 19,17s)
  • Faz ouvir sua Palavra (Dt 4,12 ss)
  • Convocação feita em nome do Senhor:
  • Dedicação do Templo
  • Josias
  • Neemias
Festas judaicas: memória das grandes assembleias históricas
  • Pessach (Páscoa)
  • Sucot (Tendas)
  • Shavuot (Semanas)
  • Pentecostes: nova assembleia

3.2.2 “VÓS SOIS UMA RAÇA ELEITA, UM POVO SACERDOTAL...” (1ª Pedro 2,9)
  • Celebrar em nome do Cristo
  • Façam isso em minha memória (1ª Corintios 11,24)
  • Presença de Cristo Ressuscitado e sua ação salvadora (Mateus 18,20; 28,20)
  • Novo Povo de Deus reúne os filhos de Deus dispersos por toda terra
  • Convocação feita pelos arautos de Cristo


3.2.3 CORPO DE CRISTO 
  • Epifania da Igreja
  • Não diminuir o Corpo de Cristo (S. João Crisóstomo)
  • Unanimidade = uma só fé, um só batismo, uma única assembleia
  • Deus convoca seu povo
  • Mistério pascal
  • Sacerdócio Ministerial
  • Imagem da liturgia celeste
3.3 POVO DE DEUS, HIERARQUICAMENTE ORDENADO 
  • Não há judeu ou grego; nem escravo ou livre; nem homem ou mulher (Gálatas 3,28). 
  • Sem quaisquer distinções, exceto a que quis Cristo
  • Ministérios ordenados
  • Ministros e ministrantes (ministros extraordinários)
  • Participação ativa e inteligente
  • Nada de expectadores mudos (Pio XI)
  • Sem semelhança com cultos pagãos 
  • Edifícios, 
  • Diálogo, 
  • Ação de graças comum.

Presidente/Celebrante
  • Presidente (chefe da oração)
  • Celebrante (sacerdote que oferece o sacrifício e apresenta os dons ao povo de Deus)
  • Em virtude da ordenação e da comunhão eclesiástica – não é delegado pela comunidade

Ministérios
  • A serviço da Palavra de Deus
  • A serviço do Presidente
  • A serviço do povo

Vestes litúrgicas
  • Veste litúrgica e hábito eclesiástico
  • Apagar a individualidade, demonstrar a função e dignidade dos ministros da Igreja
  • Túnica Branca: memória da liturgia celeste, rompimento com as tarefas utilitárias.

BIBLIOGRAFIA 
MARTIMORT. A Igreja em Oração: Introdução à Liturgia. Barcelos: Minho, 1965.
GERHARDS; KRANEMANN. Introdução à Liturgia. São Paulo: Loyola, 2013. 
Bíblia de Jerusalém
(Atualizado em 05/05/2014)

Anexo 1: Liturgia das horas
http://www.liturgiadashoras.org/pascoa/horas/1quartapascoa_vesperas.htm

Anexo 2: Textos para aprofundamento


Pio XII, Mediator Dei
A Igreja, portanto, tem em comum com o Verbo encarnado o escopo, o empenho e a função de ensinar a todos a verdade, reger e governar os homens, oferecer a Deus o sacrifício, aceitável e grato, e assim restabelecer entre o Criador e as criaturas aquela união e harmonia que o apóstolo das gentes claramente indica por estas palavras: "Não sois mais hóspedes ou adventícios, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus, educados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, com o próprio Jesus Cristo por pedra angular, sobre a qual todo o edifício bem ordenado se levanta para ser um templo santo no Senhor, e sobre ele vós sois também juntamente edificados em morada de Deus, pelo Espírito".(21) Por isso, a sociedade fundada pelo divino Redentor não tem outro fim, seja com a sua doutrina e o seu governo, seja com o sacrifício e os sacramentos por ele instituídos, seja enfim com o ministério que lhe contou, com as suas orações e o seu sangue, senão crescer e dilatar-se sempre mais – o que se dá quando Cristo é edificado e dilatado nas almas dos mortais, e quando, vice-versa, as almas dos mortais são educadas e dilatadas em Cristo.

Sacrossanctum concilium
26. As ações litúrgicas não são ações privadas, mas celebrações da Igreja, que é «sacramento de unidade», isto é, Povo santo reunido e ordenado sob a direção dos Bispos.
Por isso, tais ações pertencem a todo o Corpo da Igreja, manifestam-no, atingindo, porém, cada um dos membros de modo diverso, segundo a variedade de estados, funções e participação atual.
27. Sempre que os ritos comportam, segundo a natureza particular de cada um, uma celebração comunitária, caracterizada pela presença e ativa participação dos fiéis, inculque-se que esta deve preferir-se, na medida do possível, à celebração individual e como que privada.
Isto é válido, sobretudo para a celebração da Missa e para a administração dos sacramentos, ressalvando-se sempre a natureza pública e social de toda a Missa.
28. Nas celebrações litúrgicas, limite-se cada um, ministro ou simples fiel, exercendo o seu ofício, a fazer tudo e só o que é de sua competência, segundo a natureza do rito e as leis litúrgicas.

sábado, 19 de abril de 2014

PÁSCOA DO SENHOR

Deixemos a liturgia deste tempo litúrgico falar por si mesma...

Na Quinta-feira Santa, iniciamos o tríduo, três dias que formam a celebração solene da Páscoa do Senhor. A Missa da Santa Ceia do Senhor nos traz a memória da Páscoa Judaica (Êxodo 12,1-8. 11-14), a graça da comunhão com Cristo (Salmo 115, “O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão com o sangue de Jesus”), a instituição da Eucaristia (1ª Coríntios 11,23-26) e o lava-pés (João 13,1-15). O rito do lava-pés nos recorda que o amor de Deus é muito maior do que nossa limitada compreensão humana, e que a sua grandeza está na fraternidade,  na caridade, que se transformam em oração ao Pai.

“Ó Pai, estamos reunidos para a Santa Ceia, na qual seu Filho único, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja, um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor. Concedei-nos, por mistério tão excelso, chegar à plenitude da caridade e da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo. Amém.” (Oração do dia, na Quinta-feira Santa)

A Sexta-feira Santa é dia de jejum e abstinência, em honra do Senhor. Preparamos todo o nosso ser (corpo e espírito) para celebrar dignamente o mistério pascal, reafirmando o nosso compromisso com o reino de Deus. O servo sofredor (Isaías 52,13-53,12 e Salmo 30, “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!”) é o Filho obediente à vontade do Pai (Hebreus 4,14-26; 5,7-9 e João 18,1-19-42). Por isso, fazemos também a Oração Universal (na qual rezamos por todos) e o rito de Adoração da cruz (“Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”).


“Ó Deus, pela paixão de nosso Senhor Jesus Cristo destruístes a morte que o primeiro pecado transmitiu a todos. Concedei que nos tornemos semelhantes ao vosso Filho e, assim como trouxemos pela natureza a imagem do homem terreno, possamos trazer pela graça a imagem do homem novo. Por Cristo, nosso Senhor.” (Oração do dia, na Sexta-feira Santa)


O Sábado Santo é o dia da Vigília Pascal. Em comunhão com toda a Criação, celebramos a Ressurreição de Jesus! 
Começamos fora da Igreja, com a Bênção do fogo (e preparação do círio pascal), a Procissão do Círio Pascal para dentro da Igreja e a proclamação da Páscoa (canto “Exulte”), que formam a CELEBRAÇÃO DA LUZ. 
A LITURGIA DA PALAVRA é composta por sete Leituras do Antigo Testamento acompanhadas por sete Salmos (Gênesis 1,1. 26-31 e Salmo 103; Gênesis 22,1-18 e Salmo 15; Êxodo 14,15-15,1 e Êxodo 15; Isaías 54,5-14 e Salmo 29; Isaías 55,1-11 e Isaías 12; Baruc 3,9-15.32-4,4 e Salmo 18B; Ez 36,16-28 e Salmo 41) e sete Orações; em seguida, o Glória solene (hino de louvor) e a Oração do Dia; então, a Epístola (Romanos 6,3-11), a Aclamação ao Evangelho (com o Salmo 117) e o Evangelho (Mateus 28,1-10). 
Na sequência, temos a LITURGIA BATISMAL, com a Ladainha de todos os santos, a Bênção da água batismal (com o mergulho do Círio Pascal), a Renovação das promessas do Batismo e os Batismos. 
E, finalmente, a LITURGIA EUCARÍSTICA (como de costume).


“Ó Deus, derramai em nós o vosso espírito de caridade, para que, saciados pelos sacramentos pascais, permaneçamos unidos no vosso amor. Por Cristo, nosso Senhor.”(Oração depois da comunhão, na Vigília Pascal)



A TODOS UMA FELIZ E SANTA PÁSCOA!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

TRÍDUO PASCAL

A LITURGIA do Tempo Quaresmal nos prepara para a Páscoa. Com o Domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa e amanhã começaremos o Tríduo Pascal.
Na Quinta-feira Santa celebramos solenemente a Santa Ceia do Senhor, festejamos o amor de Deus que se entrega completamente para a nossa salvação. 
Cristo nos ensina a dar um passo além da nossa compreensão limitada, revelando que o reino de Deus acontece quando nos colocamos disponíveis à fraternidade, ao serviço gratuito ao pobre e ao necessitado. 

"Se eu vosso Mestre e Senhor, vossos pés hoje lavei. Lavai os pés uns dos outros, este exemplo vos dei."


(Pela manhã, teremos a Missa dos Santos Óleos na catedral Sant'Ana, em Mogi das Cruzes. À noite, teremos a missa nas paróquias e em algumas comunidades.)

OBS: Hoje não haverá aula na escola diocesana, devido à Semana Santa.

LITURGIA - Aula 2: ÍNTIMA RELAÇÃO ENTRE CATEQUESE E LITURGIA

(Anotações da aula de 09/04/2014, ministrada pelo diácono Arthur)

2.1 HOMEM COMO SER RITUAL 
  • RITO: perceber a vida transfigurada e transcendente 
  • Representar o mito fundante na própria vida
  • Recapitular a história do povo
RITOS DE PASSAGEM 
  • Existência incompleta
  • Tornar-se pessoa
  • A transmissão pelo ritual
  • Ritos de passagem na sociedade secularizada
  • Esvaziamento do conteúdo transcendente
  • Rito experimentado como conclusão ou coroamento
  • Atrelados às opções pessoais

2.2 LITURGIA, FONTE DA AÇÃO PASTORAL DA IGREJA 
  • Conteúdo primordial da catequese: Mistério pascal de Cristo
  • Depósito da fé, vivido e celebrado
  • Liturgia ação da Igreja 

2.2.1 CONTEÚDO PRIMORDIAL DA CATEQUESE: MISTÉRIO PASCAL DE CRISTO
  • MISTÉRIO, algo que está fechado e precisa ser aberto, como os olhos de quem dorme
  • MISTÉRIO PASCAL: At 2, 22-24
  • KERIGMA = Evangelização
  • CATEQUESE = aprofundar a relação com o Mistério anunciado;
  • LITURGIA = celebração do Mistério
  • Mudança de paradigma após o primeiro período da Igreja:
      Aprender celebrando (modelo oriental) / Aprender para celebrar (modelo ocidental)

2.2.2 DEPÓSITO DA FÉ VIVIDO E CELEBRADO
  • Guarda o Deposito da fé (1Tm 6,20)
  • Pio XI: “[a liturgia] é o órgão mais importante do magistério da Igreja”
OBRA COLETIVA: 
  • Fato comum dos tempos apostólicos
  • Formas e ritos das Igrejas particulares
  • Autoridade docente e magisterial
  • A celebração torna a doutrina vivificante
    (Ano Litúrgico, Diálogo com Deus, Comunhão eclesial = experiência do Reino de Deus)

2.2.3 LITURGIA, AÇÃO DA IGREJA 
  • CULTO DO CORPO MÍSTICO DE CRISTO: estreita ligação entre Chefe e povo
  • CULTO DO POVO DE DEUS HIERARQUICAMENTE ORGANIZADO: memória dos Mistérios de Deus revelados em Cristo e chamar os homens à comunhão
  • CULTO DA ESPOSA DE CRISTO:
    Múnus maternal em relação a toda a Humanidade
    Inaugura comunhão e diálogo amor com Deus
    Gera filhos e os faz crescer 
  • IGREJA TOMA CONSCIÊNCIA DO QUE É
    Corpo social: dispensadora do mistério da salvação da humanidade.
    A Liturgia constitui a Igreja (Batismo) e exprime a Igreja (Eucaristia)

2.3 LITURGIA, CUME DA AÇÃO PASTORAL DA IGREJA
  • Liturgia não esgota a ação pastoral da Igreja (SC 9)
  • Liturgia e missão
  • Santificação 

2.3.1 LITURGIA NÃO ESGOTA A AÇÃO PASTORAL DA IGREJA (SC 9)
  • Apostolado chamar os homens a Cristo para fruírem da Palavra e dos Mistérios de Cristo (SC 10)
  • Fé e conversão (SC 9);
  • Catequese, promover participação (SC14);

2.3.2 LITURGIA E MISSÃO 
  • Ações litúrgicas sempre válidas: Ex opere operato (sacramentos); Ex opere operantis Ecclesiae (demais ações litúrgicas)
  • Liturgia é ação gratuita (fugir da Magia e da emoção religiosa)
  • Pregação do Evangelho para que os homens renasçam pela Palavra de Deus e pelos sacramentos (AG 6)
  • Itinerário da Missão: Testemunho => Caridade => Anúncio de JC => Formação da Comunidade (sacramentos) => Formação de Igrejas Locais.
  • Experiência dos primeiros cristãos: “as conversões começavam com as questões postas pela pureza de vida e pela caridade dos cristãos, às quais respondia uma primeira evangelização e só após um longo período de catequese e de iniciação eram os catecúmenos introduzidos na celebração dos mistérios, na qual não participavam plenamente senão após o seu batismo.”

2.3.3 SANTIFICAÇÃO PELA LITURGIA
  • Processo iniciático
  • Catequese mistagógica
  • Participação ativa, plena e consciente 
  • Ação Apostólica
  • Comunhão fraterna e eclesial

BIBLIOGRAFIA
  • CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II. Constituição apostólica Sacrossanctum Concilium & Decreto Ad Gentes. In: Documentos do Conc. Ecu.Vt. II.  São Paulo: Paulus, 2001.
  • BÍBLIA DE JERUSALÉM
  • MARTIMORT. A Igreja em Oração: Introdução à Liturgia. Barcelos: Minho, 1965.
  • GERHARDS; KRANEMANN. Introdução à Liturgia. São Paulo: Loyola, 2013.
ANEXO 1: Oração das vésperas

ANEXO 2: Texto para estudo

Segunda Catequese Mistagógica (De Baptismo) de São Cirilo de Jerusalém.

“Ou não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua norte que fomos batizados? (...) Pois que não estais debaixo da Lei, mas sob a graça”. (Romanos 6,3.14)
(2) Logo que entrastes, despistes a túnica. E isto era imagem do despojamento do velho homem com suas obras. Despidos, estáveis nus, imitando também nisso a Cristo nu sobre a cruz. Por sua nudez despojou os principados e as potestades e no lenho triunfou corajosamente sobre eles. As forças inimigas habitavam em vossos membros. Agora já não vos é permitido trazer aquela velha túnica, digo, não esta túnica visível, mas o homem velho corrompido pelas concupiscências falazes. Oxalá a alma, uma vez despojada dele, jamais torne a vesti-la, mas possa dizer com a esposa de Cristo, no Cântico dos Cânticos: “Tirei minha túnica, como irei revesti-la?”(Cântico dos Cânticos 5,3). Ó maravilha, estáveis nus à vista de todos e não vos envergonhastes. Em verdade éreis imagem do primeiro homem Adão, que no paraíso andava nu e não se envergonhava.
(3) Depois de despidos, fostes ungidos com óleo exorcizado desde o alto da cabeça até os pés. Assim, vos tornastes participantes da oliveira cultivada, Jesus Cristo. Cortados da oliveira bravia, fostes enxertados na oliveira cultivada e vos tornastes participantes da abundância da verdadeira oliveira (cf. Romanos 11,17-24). O óleo exorcizado era símbolo, pois, da participação da riqueza de Cristo. Afugenta toda presença das forças adversas. Como a insuflação dos santos e a invocação do nome de Deus, qual chama impetuosa, queima e expele os demônios, assim este óleo exorcizado recebe, pela invocação de Deus e pela prece, uma tal força que, queimando, não só apaga os vestígios dos pecados, mas ainda põe em fuga as forças invisíveis do maligno.
(4) Depois disto fostes conduzidos pela mão à santa piscina do divino batismo, como Cristo da cruz ao sepulcro que está à vossa frente. E cada qual foi perguntado se cria no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E fizestes a profissão salutar, e fostes imersos três vezes na água e em seguida emergistes, significando também com isto, simbolicamente, o sepultamento de três dias de Cristo. E assim como nosso Salvador passou três dias e três noites no coração da terra, do mesmo modo vós, com a primeira imersão, imitastes o primeiro dia de Cristo na terra, e com a imersão, a noite. Como aquele que está na noite nada enxerga e ao contrário o que está no dia tudo enxerga na luz, assim vós na imersão, como na noite, nada enxergastes; mas na emersão, de novo vos encontrastes no dia. E no mesmo momento morrestes e nascestes. Esta água salutar tanto foi vosso sepulcro como vossa mãe. E o que Salomão disse em outras circunstâncias, sem dúvida, pode ser adaptado a vós: “Há tempo para nascer, e tempo para morrer” (Eclesiastes 3,2). Mas para vós foi o inverso: tempo para morrer, e tempo para nascer. Um só tempo produziu ambos os efeitos e o vosso nascimento ocorre com vossa morte.
(5) Oh! fato estranho e paradoxal! Não morremos em verdade, não fomos sepultados em verdade, não fomos crucificados e ressuscitados em verdade. A imitação é uma imagem; a salvação, uma verdade. Cristo foi crucificado, sepultado e verdadeiramente ressuscitou. Todas estas coisas nos foram agraciadas a fim de que, participando, por imitação, de seus sofrimentos, em verdade logremos a salvação. Oh! Amor sem medida! Cristo recebeu em suas mãos imaculadas os pregos e padeceu, e a mim, sem sofrimento e sem pena, concede graciosamente por esta participação a salvação. 
(6) Ninguém, pois, creia que o batismo só obtém a remissão dos pecados, como o batismo de João só conferia o perdão dos pecados. Também nos concede a graça da adoção de filhos. Mas nós sabemos, com precisão, que como é purificação dos pecados e prodigalizador do dom do Espírito Santo, é também figura da Paixão de Cristo. Por isso clama a propósito Paulo, dizendo: “Ou não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados?” (Romanos 6,3). Talvez dissesse estas coisas por causa de alguns, dispostos a ver o batismo como prodigalizador da remissão dos pecados e da adoção, mas não como participação, por imitação, dos verdadeiros sofrimentos de Cristo.
(7) Para que aprendêssemos que tudo o que Cristo tomou sobre si foi por nós e pela nossa salvação, tudo sofrendo em verdade e não em aparência e para que nos tornássemos participantes dos seus sofrimentos, exclamava veementemente Paulo: “Se fomos plantados com [Ele] pela semelhança de sua morte, também o seremos pela semelhança de sua ressurreição” (Romanos 6,5). Boa é a expressão “plantados com Ele”. Logo que foi plantada a verdadeira vide, nós também pela participação do batismo da sua morte “fomos plantados”. Fixa a mente com toda a atenção nas palavras do Apóstolo. Não disse: Fomos plantados com Ele pela morte, mas, pela semelhança da morte. Deveras, houve em Cristo uma morte real, pois a alma se separou do corpo. Houve verdadeiramente sepultamento, pois seu corpo sagrado foi envolvido em lençol limpo e foi verdadeiro tudo o que nele ocorreu. Para nós há a semelhança da morte e dos sofrimentos. Quando se trata da salvação, porém, não é semelhança e sim realidade.
(8) Todas estas coisas foram ensinadas suficientemente: retende tudo em vossa memória, rogo-vos, para que eu, ainda que indigno, possa dizer-vos: “Amo-vos porque sempre vos lembrais de mim e conservais as tradições que vos transmiti” (cf. 2ª Tessalonicenses 2,15) Ademais, poderoso é Deus que de mortos vos fez vivos, para conceder-vos que andeis em novidade de vida. A Ele a glória e o poder, agora e pelos séculos. Amém.

Para ampliar a discussão: Observar quais elementos “mistagógicos” estão presentes na celebração dos sacramentos e sacramentais. Eles são suficientemente valorizados ritualmente na sua paróquia? São suficientemente compreendidos? Qual a contribuição a catequese poderia oferecer para melhor apreendermos o seu significado e melhor celebrar?


BÍBLIA - Aula 2. INTRODUÇÃO AO LIVRO DO ÊXODO

(Anotações referentes à aula de 02/04/2014, ministrada pelo diácono Ubirajara, de Poá)

A palavra “Êxodo” significa “saída”. Este livro pode ser dividido em duas partes: uma histórica e outra legislativa. A histórica trata da vida dos hebreus no Egito e de sua multiplicação. Focaliza o nascimento de Moisés e, depois com este à frente, narra a peregrinação pelo deserto rumo à Terra Prometida. A parte legislativa contém uma série de leis religiosas, morais e civis, culminando no Monte Sinai, com a promulgação do Decálogo, também chamado Antiga Aliança.
Dos anos em que o povo hebreu passou no Egito, o autor sagrado relata apenas os dados que interessam à história religiosa dos hebreus: sua multiplicação extraordinária, desde as famílias vindas dos filhos de Jacó, chegados ao Egito, a glória de José e a opressão de seus descendentes, pelo monarca egípcio (faraó). Acredita-se que Ramsés II, que teria reinado entre os anos 1301-1225 a.C., tenha sido esse opressor e que pertencia à 19ª dinastia.
Quem desconhece o Êxodo e sua mensagem jamais entenderá o sentido de toda a Bíblia, pois está fundamentada neste livro a ideia de que se tem de Deus, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento. De fato, a mensagem centrada do Êxodo é a revelação do nome do Deus verdadeiro: “Eu sou aquele que sou!” fazendo derivar do verbo hebraico “JHWH” ou “IHWH”, embora dessa raiz se originasse o improvavel “Javé”; esse nome no Êxodo está intimanete um ligado à libertação do povo hebreu. Javé é o único Deus verdadeiro que ouve o clamor do povo oprimido e o liberta, para reestabelecer com ele uma aliança e lhe dar leis que transformam a relação entre as pessoas. Desse modo, o homem só é capaz de nomear o verdadeiro Deus quando o considera de fato o libertador de qualquer forma de escravidão. 
A pergunta fundamental do Êxodo é: “QUAL É O SEU VERDADEIRO DEUS?” A resposta que aí encontramos é a mesma que reaparece em toda a Bíblia, e principalmente na pregação, atividade e pessoa de Jesus.
Na “sarça ardente” está o mistério da experiência de Deus que está além da compreensão humana. Este mistério é apresentado como fogo que arde sem se consumir (Êxodo 3,1-6). Esse Deus misterioso e aliado do povo oprimido, o povo de Abraão, Isaac e Jacó. Moisés se sente incapaz e sem autoridade para ser mediador da libertação para um povo, com quem jamais conviveu. Deus lhe assegura que estará com ele e que a libertação vai se realizar.
 
DESTAQUES:
Ex 2,11-22. Moisés, sabendo de sua origem, depara-se com a violência de um egípcio contra um escravo hebreu; sua primeira reação foi se colocar em defesa do oprimido; porém, faz uso da violência, mata o opressor e precisa fugir para não ser preso. Confiando apenas em sua própria força, Moisés fracassou. Recorre, então, ao auxílio de Deus. Nos Capítulos 3 e 4, Deus se revela a Moisés como o Libertador e o envia para enfrentar o faraó, livrar o povo da escravidão e conduzi-lo à Terra Prometida. É Deus quem vai à frente e Deus garante que a libertação vai se realizar. O homem deve assumir o projeto de Deus e deixar-se conduzir por Ele para que a libertação seja plena.
(Atualizado em 05/05/2014)

quinta-feira, 27 de março de 2014

LITURGIA - Aula 1: LITURGIA COMO OBRA DE DEUS

(anotações referentes à aula de 26/03/2014, ministrada pelo Diácono Arthur)

1.1 “DEIXA-NOS FAZER UMA FESTA PARA O NOSSO DEUS NO DESERTO”, Êxodo como culto e libertação
  • Ex 2,23-25: Os hebreus gemiam e gritavam sob o peso da servidão, incapacidade de dirigir a Deus palavra inteligível;
  • Ex 4,17-20: Sair para sacrificar a Deus no deserto, experiência da liberdade a partir do culto;
  • Ex 8,21-23; 10, 8-11; 10, 24-26: Culto querido por Deus não está sujeito aos interesses dos poderosos. 
1.2 LITURGIA, OBRA DA SANTÍSSIMA TRINDADE (cat. 1076-1109)
  • Pai, fonte e fim da Liturgia
  • A obra de Cristo na Liturgia
  • O Espírito Santo e a Igreja na Liturgia 
1.2.1 PAI, FONTE E FIM DA LITURGIA
ABENÇOAR
  • Fonte e fim de todas as bênçãos
  • Criação e salvação
  • Palavra (dizer bem) e Dom (ação histórica)
DUPLA DIMENSÃO DA LITURGIA
  • Katabática (descida)
  • Anabática (ascensão): Culto, Liturgia, Ação de graças
1.2.2 OBRA DE CRISTO NA LITURGIA
CRISTO AGE ATUALMENTE PELOS SACRAMENTOS
  • Instituídos por Ele
  • Sinais eficazes: significam e realizam
  • Sacramentum e Mysterion 
MISTÉRIO PASCAL
Vida de Cristo e sua Páscoa são eventos que fazem parte da eternidade divina.
Páscoa sempre presente e abraça todos os tempos

SUCESSÃO APOSTÓLICA
  • Mandato de Cristo
  • Levar a efeito o que anunciam: pelos sacramentos e pelo sacrifício
  • Comunicação do ES: poder de santificação (Jo 20,21-23)
1.2.3 O ESPÍRITO SANTO E A IGREJA LITURGIA
PREPARA A IGREJA PARA ENCONTRAR CRISTO
  • Toda liturgia é um encontro de Cristo e a Igreja
  • Conversão e adesão
RECORDA E MANIFESTA CRISTO À FÉ DA ASSEMBLEIA
  • ES, memória viva da Igreja (Palavra de Deus, relação viva com Cristo)
  • Memória que suscita louvor e ação de graças.
TORNA CRISTO PRESENTE E ATUALIZA O SEU MISTÉRIO
  • O Espírito Santo atualiza o mistério pascal de Cristo em cada  celebração;
  • Torna presente (epiclese)
UNE A IGREJA À MISSÃO DE CRISTO
  • Comunhão com Cristo para formar seu corpo
  • Finalidade: Comunhão com a Santíssima Trindade e com os irmãos.

1.3 LITURGIA, EXERCÍCIO DO SACERDÓCIO DE CRISTO (SC 7)
  • Liturgia é considerada exercício função sacerdotal de Cristo (SC 7), analisemos a partir dos seguintes elementos:
  • Mediação
  • Mistério Pascal
  • Presença
1.3.1 JESUS CRISTO, ÚNICO MEDIADOR (1Tm 2,5)
  • CENTRO DA CRISTOLOGIA
  • Verdadeiro Deus Verdadeiro homem (Calcedônia – a.D.451)
CENTRO DA LITURGIA
  • torna possível a oração cristã,
  • religião humana alcança valor salvífico e finalidade;
1.3.2 MISTÉRIO PASCAL
PÁSCOA
  • História de Salvação
  • Evento ritualizado (AT)
  • Cristo, irrupção do Reino de Deus no ritual
SANGUE DA NOVA E ETERNA ALIANÇA
  • Continuidade e descontinuidade das Alianças
MISTÉRIO PASCAL
  • Mistério como manifestação da vontade salvadora de Deus (Mc 4,11; Col 2,2...)
  • Integralidade
  • Decadência da morte e esperança da ressurreição garantida pela vitória de Cristo.
1.3.3 PRESENÇA DE CRISTO NA LITURGIA (Mt 28,20)
SINAIS SENSÍVEIS
  • Como são tratados Evangeliário e Espécies Eucarísticas 
PRESENÇA PRIVILEGIADA NA LITURGIA
  • Isto é o meu corpo....Isto é o meu sangue...
  • Formas de presença
PRESENÇA
  • Mediada (ES, Sacramentos, pessoas, símbolos...)
  • Eficaz (Pelo ES Cristo está presente hoje!)
  • Re-presentação (presentificação da obra de Cristo)
  • Contemporaneidade nos atos salvíficos de Deus
  • Presença real

BIBLIOGRAFIA
CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II. Constituição apostólica Sacrossanctum Concilium. São Paulo: Paulus, 2001.
Catecismo da Igreja Católica. Trad. São Paulo: Loyola, 2000.
Bíblia de Jerusalém
MARTIMORT. A Igreja em Oração: Introdução à Liturgia. Barcelos: Minho, 1965.
GERHARDS; KRANEMANN. Introdução à Liturgia. São Paulo: Loyola, 2013.
RATZINGER. Introdução ao Espírito da Liturgia. 5.ed. Prior Velho (POR): Paulinas, 2012.
ROLAND MEYNET.  Chiamati alla libertà. Bologna: EDB, 2008.

ANEXO 1: Oração das Vésperas
http://www.liturgiadashoras.org/quaresma/quaresma3.html

ANEXO 2: Documentos da Igreja

SACROSSANCTUM CONCILIUM (Constituição Dogmática do Concílio Vaticano II sobre a Sagrada Liturgia)
5. Deus (...) quando chegou a plenitude dos tempos, enviou o Seu Filho, (...)[cuja] humanidade foi, na unidade da pessoa do Verbo, o instrumento da nossa salvação. (...) Esta obra da redenção dos homens e da glorificação perfeita de Deus (...) realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal da sua bem-aventurada Paixão, Ressurreição dos mortos e gloriosa Ascensão. 
7. Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua Igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro - «O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» - quer e, sobretudo sob as espécies eucarísticas. Está presente com o seu dinamismo nos Sacramentos, de modo que, quando alguém batiza, é o próprio Cristo que batiza. Está presente na sua palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta, Ele que prometeu: «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» (Mt 18,20). 
Em tão grande obra, que permite que Deus seja perfeitamente glorificado e que os homens se santifiquem, Cristo associa sempre a si a Igreja, sua esposa muito amada, a qual invoca o seu Senhor e por meio dele rende culto ao Eterno Pai. Com razão se considera a Liturgia como o exercício da função sacerdotal de Cristo. 
Nela, os sinais sensíveis significam e, cada um à sua maneira, realizam a santificação dos homens; nela, o Corpo Místico de Jesus Cristo - cabeça e membros - presta a Deus o culto público integral. 
Portanto, qualquer celebração litúrgica é, por ser obra de Cristo sacerdote e do seu Corpo que é a Igreja, ação sagrada por excelência, cuja eficácia, com o mesmo título e no mesmo grau, não é igualada por nenhuma outra ação da Igreja. 

CARTA ENCÍCLICA “MEDIATOR DEI” DO PAPA PIO XII
19. O culto se organiza e se desenvolve segundo as circunstâncias e as necessidades dos cristãos, se enriquece de novos ritos, cerimônias e fórmulas, sempre com o mesmo intento: "a fim de que sejamos estimulados por aqueles sinais... conheçamos o progresso realizado e nos sintamos solicitados a desenvolvê-lo com maior vigor; o efeito, de fato, é mais digno, se mais ardente é o afeto que o precede". Assim a alma se eleva a Deus mais e melhor; assim o sacerdócio de Jesus Cristo está sempre em ato na sucessão dos tempos, não sendo a liturgia outra coisa que o exercício desse sacerdócio. Como a sua cabeça divina, assim a Igreja assiste continuamente os seus filhos (...). 

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA (confira números 1077-1109)
1110. Na liturgia da Igreja, Deus Pai é bendito e adorado como fonte de todas as bênçãos da criação e da salvação, com que nos abençoou no seu Filho, para nos dar o Espírito da adoção filial. 
1111. A obra de Cristo na liturgia é sacramental, porque o seu mistério de salvação torna-se ali presente pelo poder do seu Espírito Santo; porque o seu corpo, que é a Igreja, é como que o sacramento (sinal e instrumento) no qual o Espírito Santo dispensa o mistério da salvação; e porque, através das suas ações litúrgicas, a Igreja peregrina participa já, por antecipação, na liturgia do céu. 
1112. A missão do Espírito Santo na liturgia da Igreja é preparar a assembleia para o encontro com Cristo, lembrar e manifestar Cristo à fé da assembleia, tornar presente e atualizar a obra salvífica de Cristo pelo seu poder transformante e fazer frutificar o dom da comunhão na Igreja. 
Pontos a refletir: 
= Ao auxiliar a preparação da liturgia da minha comunidade preferimos o entretenimento ou manifestar a realidade de glorificação a Deus e santificação dos homens que ali ocorre? 
= Busco compreender e valorizar os gestos e palavras da Liturgia ou os encaro como formalismo e repetição vazia? Manifesta esta minha impressão aos demais catequistas e aos catequisandos? 
= Agora compreendemos a dupla dimensão da liturgia: Glorificação de Deus (katabática) e Santificação dos homens (anabática) a partir disso como posso expressar a participação ativa dos fiéis na Liturgia
(Atualizado com as imagens em 29/03/2014)

BÍBLIA - Aula 1: INTRODUÇÃO AO LIVRO DO GÊNESIS

(anotações referente à aula do dia 19/03/2014, ministrada pelo diácono Ubirajara, de Poá)
Dizemos que a história sagrada começa com Abraão e os seus. Na realidade, Deus não esperou o tempo de Abraão para iniciar sua obra de salvação. Em vista disto, colocaram a criação nos primeiros capÍtulos do Gênesis (Gn)  antes da história de Abraão, apresentando uma reflexão religiosa sobre a caminhada da humanidade.
Lembramos que a Bíblia não apresenta uma história cronológica, mas sim a caminhada espiritual do povo de Deus e o próprio amor de Deus. Por isso a linguagem usada é muito simbólica, fundamentada no contexto e na experiência humana em seu relacionamento com Deus, e não deve ser compreendida literalmente (“ao pé da letra”).
Um escritor desconhecido foi cognominado de "Javista" (porque chama Deus de Javé) e compôs uma primeira história do povo de Deus, que começa com o relato do "Paraíso".  (Gn 2,46b-25) Fala de um Deus trabalhador, que cria, sopra (hálito de vida) e modela. Deus cria a humanidade para a felicidade (= paraíso). Na Bíblia, dormir é morrer. O homem morre para si mesmo para se unir à mulher e formar “uma só carne” (Gn 2,24); sai do seu isolamento e busca o bem do outro e a convivência para realizar a sua vocação.
Outro autor escreveu outra história no reino de Israel, no século seguinte. Este autor é chamado de "Eloísta", para distinguir do primeiro. Ele não fala o nome de Deus, chama-o simplesmente heloim (em hebraico = Deus). Segundo esta concepção, Deus cria pela Palavra (Gn 1,1-31). Sete é um número simbólico que significa perfeição. Só Deus cria pela Palavra. Segundo esta visão babilônica, já existia o caos. Deus demiurgo é aquele que organiza o caos.
Ainda no século IV, durante o Exílio na Babilônia, os sacerdotes escreveram vários parágrafos com a finalidade de fazer uma reflexão religiosa da história que viviam. (Gn 2,1-4a).
Iniciemos então uma leitura analítica dos três primeiros capítulos do Gênesis.
Dizemos que a história sagrada começa com Abraão e os seus. Na realidade, Deus não esperou o tempo de Abraão para iniciar sua obra de salvação. Em vista disto, colocaram a criação nos primeiros capitulos do Gênesis (Gn)  antes da história de Abraão, apresentando uma reflexão religiosa sobre a caminhada da humanidade.
Lembramos que a Bíblia não apresenta uma história cronológica, mas sim a caminhada espiritual do povo de Deus e o próprio amor de Deus. Por isso a linguagem usada é muito simbólica, fundamentada no contexto e na experiência humana em seu relacionamento com Deus, e não deve ser compreendida literalmente (“ao pé da letra”).
Um escritor desconhecido foi cognominado de "Javista" (porque chama Deus de Javé) e compôs uma primeira história do povo de Deus, que começa com o relato do "Paraíso".  (Gn 2,46b-25) Fala de um Deus trabalhador, que cria, sopra (hálito de vida) e modela. Deus cria a humanidade para a felicidade (= paraíso). Na Bíblia, dormir é morrer. O homem morre para si mesmo para se unir à mulher e formar “uma só carne” (Gn 2,24); sai do seu isolamento e busca o bem do outro e a convivência para realizar a sua vocação.
Outro autor escreveu outra história no reino de Israel, no século seguinte. Este autor é chamado de "Eloísta", para distinguir do primeiro. Ele não fala o nome de Deus, chama-o simplesmente heloim (em hebraico = Deus). Segundo esta concepção, Deus cria pela Palavra (Gn 1,1-31). Sete é um número simbólico que significa perfeição. Só Deus cria pela Palavra. Segundo esta visão babilônica, já existia o caos. Deus é quem organiza o caos.
Ainda no século IV, durante o Exílio na Babilônia, os sacerdotes escreveram vários parágrafos com a finalidade de fazer uma reflexão religiosa da história que viviam. (Gn 2,1-4a).
Iniciemos então uma leitura analítica dos três primeiros capítulos do Gênesis.

GÊNESIS
Gênesis significa nascimento, origem, princípio. Nos três primeiros capítulos podemos distinguir duas partes: origem do mundo e origem da humanidade. São duas composições que procuram mostrar o lugar e a importância do homem e da mulher dentro do projeto de Deus: eles são o ponto mais alto e o centro de toda a criação. Feitos imagem e semelhança de Deus, possuem o dom da criatividade, da palavra e da liberdade.
Tudo o que Deus cria é bom; o mal entra no mundo através da auto-suficiência do ser humano. A história dos homens aparece dominada pelo mal e, ao mesmo tempo, amparado pela graça de Deus (Gn 3,15).

COMENTÁRIOS AO CAPÍTULO 1 = RELATO ELOÍSTA
O relato da criação é uma descrição muito bem arquitetada pelo autor inspirado, para transmitir, para transmitir verdades fundamentais sobre a fé: a existência de um único Deus, a criação de todos os seres, a partir do nada; a sabedoria divina do Criador; sua onipotência; a quem se atribui o bem e o mal; o homem é o apogeu da criação: sua grandeza está em ser imagem e semelhança de Deus; o matrimônio é de instituição divina e se destina a propagação do gênero humano. O homem, por motivo religioso deve, após seis dias de trabalho, santificar pelo repouso o sétimo dia (sábado, celebrar a Aliança, prestar culto a Deus). Aqui está a razão do autor Eloísta distribuir a formação do mundo em seis dias.

Alguns destaques:
Gn 1,2 “as trevas cobriam o abismo e o espírito de Deus pairava sobre as águas”. Aqui a palavra espírito vem do termo hebraico ruah = vento, sopro. Não deve ser atribuído ao Espírito Santo, pois “vento e águas” são imagens que, por seu caráter negativo, preparam a noção da criação a partir do nada.
Gn 1,4 O plural “façamos” também não deve ser atribuído à Trindade, pois explica-se pela transposição a Deus da linguagem própria das cortes, onde o rei (com o plural) queria associar à sua pessoa ministros e cortesãos. Ou seja, este é um recurso literário do autor e não revelação trinitária.

COMENTÁRIOS Gn 2,4b-3,24
A seção Gn 2,4b-3,24 pertence à fonte javista. Não é, como se diz, uma “segunda narrativa da criação”. Foi escrita no tempo DO REI Salomão, no século X. Seguida de uma narrativa de queda, são duas narrativas combinadas que usam tradições diversas: uma da criação do homem distinta da criação do mundo (como apresentou no capítulo 1) e que só se completa com a criação da mulher e uma narrativa do paraíso perdido, da queda e do castigo.
Também traz uma mensagem religiosa: Deus criou a terra para que o homem dela usufrua e possua vida plena (árvore da vida). A única condição é o homem obedecer a Deus, ao seu projeto de vida e fraternidade e não querer decidir por si mesmo o que é o bem e o mal (comer do fruto proibido) a fim de não ser a casa de espécie alguma de opressão e morte.
O Capítulo 3 procura explicar a origem do mal. O centro da questão é a pretensão de ser como Deus, usurpando o lugar do Deus verdadeiro para se tornar auto-suficiente, isto é, um falso deus. A auto-suficiência é a mãe de todos os males, que são apenas consequência dela.

Alguns destaques:
Gn 3,1 A serpente serve como máscara para ser hostil a Deus, ser o diabo, o adversário e o inimigo do homem. A serpente também é símbolo de esperteza, astúcia, divindade pagã dos cananeus.
Gn 3,15 “Porei inimizade entre ti e a descendência da mulher, ela te esmagará a ca cabeça e tu lhe ferirá o calcanhar”. Este texto é chamado de “Proto evangelho” pois ao entrar o pecado no mundo, Deus já anuncia a boa-nova da salvação: a descendência da mulher, que é Jesus, filho de Maria (a nova Eva).
Gn 3,17 “maldito o solo por tua causa”. O pecado traz danos cósmicos, toda a criação sobre com o pecado do homem.

(Atualizado em 05/05/2014)

Anexo: COMO FOI ESCRITA A BÍBLIA?
A Bíblia foi escrita ao longo de mais de mil anos! No começo (mais ou menos 1200 anos antes de Cristo), as histórias do povo eram contadas de pais para filhos, em casa ou nos santuários onde iam, em romaria, rezar e re­partir os bens com os pobres.
Mais ou menos mil anos a.C. (antes de Cristo), o povo começou a escrever essas his­tórias em folhas de papiro (um tipo de papel) e pergaminho (couro seco de ovelha). O ob­jetivo era preservar bem na memória a reve­lação de Deus na vida do povo.
Por fim, no século I depois de Cristo, os primeiros cristãos escreveram sua ex­periência com Jesus de Nazaré. A Bíblia foi termin.ada por volta do ano 100 d.C. (depois de Cristo).

A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS
Cada livro bíblico nasceu da mão do povo na busca da paz. Esses livros estavam no plano de Deus. Eram instrumen­tos queridos por Ele para ajudar o povo em sua busca.
Todo projeto humano a favor da vida nas­ce do coração do próprio Deus. Cada palavra de vida é inspirada por Ele. Todo projeto de morte não é inspi­rado por Deus e não conta com sua colaboração.
Os livros da Bíblia são inspirados por Deus por­que trazem projetos de vida. São sagrados e devem ser estudados, meditados e levados à prática. 
Muitos outros livros nasceram da vivência do povo de Deus. Por que apenas 73 deles estão na Bíblia?
Imaginem se vocês passassem a vida viajando, como o povo cigano. O que iriam levar na mochila? Claro, ape­nas os objetos indispensáveis para viver bem.
O povo de Deus fazia a viagem da vida e percebeu que não dava para carregar na mochila do coração to­dos os livros já escritos. Por isso, num certo momento resolveu sentar e escolher os livros mais importantes, ou seja, aqueles inspirados por Deus.
A lista dos livros bíblicos chama-se cânon. Só en­traram no cânon os livros inspirados. O povo foi per­cebendo durante a caminhada que esses livros nasce­ram no coração de Deus.

CONVERSANDO E RESPONDENDO:
Quais são os projetos que animam, hoje, a cami­nhada das pessoas em geral? Qual é o projeto do povo cristão?
Hoje, que projetos humanos trazem a marca da inspiração divina?
EM QUE LÍNGUAS A BÍBLIA FOI ESCRITA?
Os primeiros textos foram escritos em hebraico, língua falada pelos hebreus. 
Por volta de 300 a.C., o grego estava sendo falado em todo canto. Na terra da Bíblia nem se falava mais o hebraico, mas o aramaico. 
Foi preciso traduzir o AT para o gre­go. Na tradução foram incluídos sete livros escritos originalmente em grego ou aramaico, chamados deuterocanônicos ­(que quer dizer segunda lista). São: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, 1° e 2º Macabeus e Baruc.
Muitos judeus da época não aceitaram a tradução. Hoje, eles só consideram sagrados os livros escritos originalmente em hebraico. Eles não aceitam os deuteroca­nônicos como livros sagrados. 
Os primeiros cristãos entendiam melhor o grego e aceitaram a tradução. Acolheram também os livros deuterocanônicos como Palavra de Deus.

UMA SÓ BÍBLIA, UMA SÓ FÉ
Será que a Bíblia dos evangéÍicos ou crentes é diferente da Bíblia dos católicos? 
Não! É a mesma Palavra de Deus, com o mesmo conteúdo. No entanto, há uma pequena diferença no cânon ou lista que os dois grupos adotaram. 
Enquanto o cânon evangélico tem 66 livros, o cânon católico tem 73. Os evangélicos não adotam os sete livros deuterocanônicos. Assim também fa­zem os judeus. 
Já em relação ao NT não há qualquer diferença: católicos e evangélicos aceitam os mesmos 27 livros. Os judeus não reconhecem Jesus como Se­nhor, por isso ficam apenas com os livros do AT.
O grande sonho de Deus é que todos os povos vivam unidos em torno do Reino. Superamos as diferenças quando somos fiéis à vida e ao Deus da Bíblia. 

GESTO CONCRETO
Pesquisar: Quais as famílias da região que ainda não têm sua própria Bíblia?
Fazer um mutirão entre catequistas e catequizandos. Cada turma pode visitar e oferecer a essas famílias uma Bíblia, conseguidas com o esforço de toda a turma.

(extraído do ECOANDO, editora Paulus)

SAGRADA ESCRITURA

(em construção, anotações da aula do dia 26/02/2014, ministrada pelo padre Beniamino Resta, da Paróquia São Bartolomeu, em Itaquaquecetuba)